quinta-feira, 19 de março de 2009
O amigo do meu amigo
Então que eu tenho um amigo que trabalha em uma agência de comunicação. Este amigo atende vários clientes. Uns malas, outros chatos, outros legais até demais. Um dos clientes fica numa cidade lá no fundo do estado. Cidade que fabrica calçados. Dos bons. Então que este cliente fez um pedido. Bem vago. Meu amigo ligou pra ele pra saber mais detalhes. Ora o cliente não atende, ora o cliente não pode atender. Meu amigo fica esperando. E o chefe dele cobra. Ele liga de novo. "Daqui a pouco eu te mando um e-mail". Resposta do cliente. E o e-mail nem tchum. Ele liga de novo e avisa "não chegou". O cliente ignora. No outro dia ele liga de novo: "E aí, tudo pronto". E fica ligando o dia todo. Detalhe: o e-mail sequer chegou. O chefe cobrando. O e-mail que não chega. O cliente ligando. E meu amigo ainda tem que correr atrás do terno pra formatura, cortar o cabelo, fazer matrícula num curso e planejar uma viagem.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Brasileiro chama cão de amigão!
O título deste post é subjetivo. Igual a subjetividade cultural do grupo dos nordestinos (vide TCC - Jornalismo - PUCC - 2008). O fato é que eu quero falar dos meus amigos, e da saudade que eu sinto deles.
Desde criancinha eu tenho a grotesca mania de achar que amigos não se perde, se acumula. Já promovi encontros inesperados entre eles. Alguns com sucesso, outros nem tanto. Já visitei um amigo antigo no mesmo dia que fiz um novo. É amigo né, só se acumula.
Um amigo de infância que eu tenho é o Lú. Só isso, Lú. Acho que somos amigos desde os 7 anos. Antes disso éramos inimigos, de se engalfinhar na rua e tudo. Eu sempre perdia. O Lú era gordinho, mais forte. Daí que a gente começou a estudar juntos, e viramos amigos. Gostávamos de Jurassic Park, cachorrinhos, vôlei no verde (aka quintal do Lú) e guerrinha de água na rua. Estudamos juntos na 3ª série. Não prestou. Fizemos o trabalho da maquete juntos, o que rendeu várias brigas. Não entre a gente, mas entre o grupo.
O tempo passou. Eu fui pro Bradesco, o Lú pro Matozinho. Eu comecei a gostar de carros e o Lú de skate. Eu mudei do Bandeira e o Lú casou. É, casou. Nem eu sabia. Topei com ele no shopping. "Sua voz tá diferente", disse ele. Tipo, fazia uns 3 anos que a gente não conversava. Cresci, né? hehe... saudades do Lú.
Aí tem o Noka. Eu fiquei amigo do Noka no fim do 1º ano do Ensino Médio. Acho que foi porque o professor me mudou de lugar, pra perto dele. O Noka era assim: se vc conversa, ele conversa. Se não, ele fica quieto. Nem respirava. Daí que a gente começou a fazer trabalhos juntos. O Noka era religioso. Se a prova era em dupla e a gente não sabia a questão, era "vai no D, de Deus". Grande Noka. Antes de entregar a prova, o sinal da cruz. Na prova. Quase sempre surtia efeito. Curso de eletrônica, Noka na bancada da frente. Com a Tammy. Eu, Bigatto e Vinícius atrás, só botando pilha. Sem sucesso. Nos formamos. O Noka foi pra informática, eu pro jornalismo. O Noka começou a namorar, e eu catando papel em ventania. O Noka comprou um carro, e eu andando de ônibus lotadasso. O Noka me chamou no MSN esses dias. "Tô de férias. Trabalhando demais, quase fiquei louco". É Noka, louco eu já fiquei. Mas dá nada, ainda sou teu amigo. Daqui a pouco ele casa. Ai dele se não me convidar...
Então tem o Horse. Henrique, pra falar a verdade. Horse é por causa do sobrenome, que nem é Horse. Ele contou, eu ri, axei engraçado e apelidei. Só eu chamo ele de Horse.
Um dia tava na IBM, conversando sobre o casamento da Eliane. "Quem foi o DJ?". Olhei pro menino de óculos e cabelo bagunçado. Se estivesse nos meus dias normais já teria dado um coice. Mas tava anestesiado ainda. "Não sei, mas o cara era bom". Então que o Horse ficou meu amigo. Entrou pro grupo do almoço "Fortaleza". Quando lembrava de tirar o Aux 5 (credo, ainda lembro) ia com a gente. Também esquecia de ir embora. Ê, Horse! É de uma cidade tão pequena que mereceu apelido de novela. Quem manda ficar meu amigo em estréia de novela. O Horse ia com a gente pro cinema. Pro bar. Pro Hopi Hari. Pro shopping. O Horse começou a namorar a Clarissa, que sentava do meu lado. Surpreso, eu? Sei lá. Não imaginava, mas até que combinam. Ele é raivoso, ela calminha. Ele é sarcástico, ela risonha. Ele é de longe, ela então...
Por último, o Diego. Nome comum né? Mas o dele é mais chic. Diego Cristian. Ele quer ser mais chic ainda e escrever com Y. Ah vá né Diego! O Diego era o bixo da faculdade. Volta e meia topava com o menino de olhos azuis. "Mais um modelo que quis virar jornalista. Posso?", pensava eu. Daí que o André ficou amigo dele e me apresentou. Tudo o que eu falava ele concordava. Ganhou pontos comigo. O Dee contava histórias engraçadas. Não vou falar pra não expô-lo. Mas que eram engraçadas, eram. Então ele trancou a faculdade, e eu me formei. Quando ele voltou, eu já não tava mais lá. E já saiu de novo. Parece que alguma coisa tem né. Mandei um scrap pra ele no Orkut. Intimidei. Perdi a paciência. Se mando scrap amigável ele nem responde. Garoto abusado. Ele respondeu. Deu certo. "Da semana que vem não passa". Não mesmo. Se não pego meu carro e baixo na casa dele. Com direito a megafone e buzinasso. Tô que não me aguento.
Cada um desses meus amigos representa uma parcela de amigos. Infância, faculdade, escola, trabalho. Quando lembro deles, lembro de todos. Falar o nome de todos aqui vai ser covardia com meu teclado e com o horário (2 da manhã, e eu sem sono). Mas que dá saudade dá.
E eu com minha grotesca mania de querer acumular amigos.
Desde criancinha eu tenho a grotesca mania de achar que amigos não se perde, se acumula. Já promovi encontros inesperados entre eles. Alguns com sucesso, outros nem tanto. Já visitei um amigo antigo no mesmo dia que fiz um novo. É amigo né, só se acumula.
Um amigo de infância que eu tenho é o Lú. Só isso, Lú. Acho que somos amigos desde os 7 anos. Antes disso éramos inimigos, de se engalfinhar na rua e tudo. Eu sempre perdia. O Lú era gordinho, mais forte. Daí que a gente começou a estudar juntos, e viramos amigos. Gostávamos de Jurassic Park, cachorrinhos, vôlei no verde (aka quintal do Lú) e guerrinha de água na rua. Estudamos juntos na 3ª série. Não prestou. Fizemos o trabalho da maquete juntos, o que rendeu várias brigas. Não entre a gente, mas entre o grupo.
O tempo passou. Eu fui pro Bradesco, o Lú pro Matozinho. Eu comecei a gostar de carros e o Lú de skate. Eu mudei do Bandeira e o Lú casou. É, casou. Nem eu sabia. Topei com ele no shopping. "Sua voz tá diferente", disse ele. Tipo, fazia uns 3 anos que a gente não conversava. Cresci, né? hehe... saudades do Lú.
Aí tem o Noka. Eu fiquei amigo do Noka no fim do 1º ano do Ensino Médio. Acho que foi porque o professor me mudou de lugar, pra perto dele. O Noka era assim: se vc conversa, ele conversa. Se não, ele fica quieto. Nem respirava. Daí que a gente começou a fazer trabalhos juntos. O Noka era religioso. Se a prova era em dupla e a gente não sabia a questão, era "vai no D, de Deus". Grande Noka. Antes de entregar a prova, o sinal da cruz. Na prova. Quase sempre surtia efeito. Curso de eletrônica, Noka na bancada da frente. Com a Tammy. Eu, Bigatto e Vinícius atrás, só botando pilha. Sem sucesso. Nos formamos. O Noka foi pra informática, eu pro jornalismo. O Noka começou a namorar, e eu catando papel em ventania. O Noka comprou um carro, e eu andando de ônibus lotadasso. O Noka me chamou no MSN esses dias. "Tô de férias. Trabalhando demais, quase fiquei louco". É Noka, louco eu já fiquei. Mas dá nada, ainda sou teu amigo. Daqui a pouco ele casa. Ai dele se não me convidar...
Então tem o Horse. Henrique, pra falar a verdade. Horse é por causa do sobrenome, que nem é Horse. Ele contou, eu ri, axei engraçado e apelidei. Só eu chamo ele de Horse.
Um dia tava na IBM, conversando sobre o casamento da Eliane. "Quem foi o DJ?". Olhei pro menino de óculos e cabelo bagunçado. Se estivesse nos meus dias normais já teria dado um coice. Mas tava anestesiado ainda. "Não sei, mas o cara era bom". Então que o Horse ficou meu amigo. Entrou pro grupo do almoço "Fortaleza". Quando lembrava de tirar o Aux 5 (credo, ainda lembro) ia com a gente. Também esquecia de ir embora. Ê, Horse! É de uma cidade tão pequena que mereceu apelido de novela. Quem manda ficar meu amigo em estréia de novela. O Horse ia com a gente pro cinema. Pro bar. Pro Hopi Hari. Pro shopping. O Horse começou a namorar a Clarissa, que sentava do meu lado. Surpreso, eu? Sei lá. Não imaginava, mas até que combinam. Ele é raivoso, ela calminha. Ele é sarcástico, ela risonha. Ele é de longe, ela então...
Por último, o Diego. Nome comum né? Mas o dele é mais chic. Diego Cristian. Ele quer ser mais chic ainda e escrever com Y. Ah vá né Diego! O Diego era o bixo da faculdade. Volta e meia topava com o menino de olhos azuis. "Mais um modelo que quis virar jornalista. Posso?", pensava eu. Daí que o André ficou amigo dele e me apresentou. Tudo o que eu falava ele concordava. Ganhou pontos comigo. O Dee contava histórias engraçadas. Não vou falar pra não expô-lo. Mas que eram engraçadas, eram. Então ele trancou a faculdade, e eu me formei. Quando ele voltou, eu já não tava mais lá. E já saiu de novo. Parece que alguma coisa tem né. Mandei um scrap pra ele no Orkut. Intimidei. Perdi a paciência. Se mando scrap amigável ele nem responde. Garoto abusado. Ele respondeu. Deu certo. "Da semana que vem não passa". Não mesmo. Se não pego meu carro e baixo na casa dele. Com direito a megafone e buzinasso. Tô que não me aguento.
Cada um desses meus amigos representa uma parcela de amigos. Infância, faculdade, escola, trabalho. Quando lembro deles, lembro de todos. Falar o nome de todos aqui vai ser covardia com meu teclado e com o horário (2 da manhã, e eu sem sono). Mas que dá saudade dá.
E eu com minha grotesca mania de querer acumular amigos.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Bollywood desde criancinha
Neste hiatus de posts eu decidi por (sem acento diferencial, nova regra) minha cultura em dia. Útil e inútil. Assisti séries, li um livro e assisti alguns filmes. Um deles se chama "Dostana", e tem no elenco principal os atores John Abraham, Abhishek Bachchan e Priyanka Chopra. Não reconheceu? Nem eu... antes de assistir este filme, sequer havia ouvido falar deles. Dostana é um filme indiano, produzido em Bollywood. Isso mesmo, com B. Estranho, não?
Em janeiro do ano passado a Superinteressante publicou uma matéria falando de Bollywood. Você sabia que na Ásia os filmes bollywoodianos são mais assistidos que os de Hollywood (com H, lá dos EUA mesmo)? Que a média de produção cinematográfica supera os americanos? E que, principalmente, a qualidade não deixa nem um pouco a desejar?
Bom, vamos ao filme. Kunal (acostume-se, os nomes indianos são diferentes) e Sameer são dois indianos que moram em Miami, e precisam encontrar um apartamento para morar. Eles se trombam em um apartamento de duas amigas (cada um ficou com uma) e depois se topam em um apartamento para aluguel. Mas aí vem o grande detalhe: quem está alugando o apartamento é Neha (a atriz é linda!) e ela prefere que os inquilinos sejam mulheres, para evitar constragimentos. Sameer sugere a Kunal que ambos finjam que são um casal gay para ficar no apartamento, que é perfeito. O plano dá certo, eles ficam no apartamento (cada um em um quarto) e se tornam os melhores amigos de Neha. Aí nasce o problema, eles se apaixonam por ela (surpreso?). Começa então uma briga para cada um conquistar a bela indiana, com direito à trapaças, coreografias e SOM NA CAIXA!!
Agora vamos à análise técnica:
Primeiro: O filme tem 2 horas e meia de duração. Sério. Mais 1 hora e vira Senhor dos Anéis. Tem até um intervalo no meio, pra quem está na sala de cinema ir fazer um lanchinho e ir ao banheiro. A Super explica: os roteiristas indianos não conseguem condensar a história. Eles querem contar tudo tim tim por tim tim. Taí a "grandeza" do filme.
Segundo: O idioma falado no filme é o hindi, mas com misturas de inglês. Não sei falar hindi, mas tenho certeza absoluta que sofreu influências fortes do inglês (efeitos da colonização britânica na Índia). E é tão engraçado ao ponto de um dos personagens apontar para Neha e dizer "my desi girl". My = inglês (minha)/desi = hindi (indiana)/girl = inglês (garota). Ou seja, é uma mistureba só.
Terceiro: Só tem indiano nesse filme? Tá certo, o filme É indiano, mas se passa nos Estados Unidos. É como os indianos na Índia falando português, da novela. Nenhum dos personagens fala somente o inglês. Volta e meia algum manda um "hindi" pra confundir tudo.
Quarto: A caracterização dos personagens é histórica: Kunal, fotógrafo saradão e maltrapilho. Sameer, enfermeiro feio e constantemente confundido como médico. Neha, a belíssima assitente-batalhadora-puxassaco do chefe que é substituído por outro... INDIANO! Quem disse que indiano vai pros EUA virar taxista não viu este filme.
Quinto: SOM NA CAIXA! Quase todos os filmes indianos são musicais. Este não foge à regra. Começa com uma música com todos dançando na praia e o Kunal saindo da água, enquanto dança com as outras pessoas. Música vai, música vem, devaneios de personagens e tudo mais. Até que chega a hora da cantoria. A música? "My desi girl".
Sexto: Edição a dar com pau. Cenas em câmera lenta, câmera rápida, closes fechados, abertos, tremidos. Tudo no filme. O "clip" de "My desi girl" tem tantos cortes que você chega a ficar tonto, só de assistir. Mas depois que vê, não tira a música da cabeça. Mesmo não fazendo idéia do que é cantado.
Resumo: Dostana é um filme legal, com cenas legais e história legal. Não é extremamente bom, mas não é ruim. Os atores são muito bons e as músicas são loucamente dançantes. E principalmente, é Bollywood na veia!
Quem se interessar, procurem no Google/Orkut, pq aqui no Brasil tão cedo não chega. Abaixo está o clip de... MY DESI GIRL! Destaque para os cortes (óbvio!), o potente ventilador na cara da atriz toda vez que ela aparece e o ator quase não conseguindo abrir os olhos com o vendaval.
Em janeiro do ano passado a Superinteressante publicou uma matéria falando de Bollywood. Você sabia que na Ásia os filmes bollywoodianos são mais assistidos que os de Hollywood (com H, lá dos EUA mesmo)? Que a média de produção cinematográfica supera os americanos? E que, principalmente, a qualidade não deixa nem um pouco a desejar?
Bom, vamos ao filme. Kunal (acostume-se, os nomes indianos são diferentes) e Sameer são dois indianos que moram em Miami, e precisam encontrar um apartamento para morar. Eles se trombam em um apartamento de duas amigas (cada um ficou com uma) e depois se topam em um apartamento para aluguel. Mas aí vem o grande detalhe: quem está alugando o apartamento é Neha (a atriz é linda!) e ela prefere que os inquilinos sejam mulheres, para evitar constragimentos. Sameer sugere a Kunal que ambos finjam que são um casal gay para ficar no apartamento, que é perfeito. O plano dá certo, eles ficam no apartamento (cada um em um quarto) e se tornam os melhores amigos de Neha. Aí nasce o problema, eles se apaixonam por ela (surpreso?). Começa então uma briga para cada um conquistar a bela indiana, com direito à trapaças, coreografias e SOM NA CAIXA!!
Agora vamos à análise técnica:
Primeiro: O filme tem 2 horas e meia de duração. Sério. Mais 1 hora e vira Senhor dos Anéis. Tem até um intervalo no meio, pra quem está na sala de cinema ir fazer um lanchinho e ir ao banheiro. A Super explica: os roteiristas indianos não conseguem condensar a história. Eles querem contar tudo tim tim por tim tim. Taí a "grandeza" do filme.
Segundo: O idioma falado no filme é o hindi, mas com misturas de inglês. Não sei falar hindi, mas tenho certeza absoluta que sofreu influências fortes do inglês (efeitos da colonização britânica na Índia). E é tão engraçado ao ponto de um dos personagens apontar para Neha e dizer "my desi girl". My = inglês (minha)/desi = hindi (indiana)/girl = inglês (garota). Ou seja, é uma mistureba só.
Terceiro: Só tem indiano nesse filme? Tá certo, o filme É indiano, mas se passa nos Estados Unidos. É como os indianos na Índia falando português, da novela. Nenhum dos personagens fala somente o inglês. Volta e meia algum manda um "hindi" pra confundir tudo.
Quarto: A caracterização dos personagens é histórica: Kunal, fotógrafo saradão e maltrapilho. Sameer, enfermeiro feio e constantemente confundido como médico. Neha, a belíssima assitente-batalhadora-puxassaco do chefe que é substituído por outro... INDIANO! Quem disse que indiano vai pros EUA virar taxista não viu este filme.
Quinto: SOM NA CAIXA! Quase todos os filmes indianos são musicais. Este não foge à regra. Começa com uma música com todos dançando na praia e o Kunal saindo da água, enquanto dança com as outras pessoas. Música vai, música vem, devaneios de personagens e tudo mais. Até que chega a hora da cantoria. A música? "My desi girl".
Sexto: Edição a dar com pau. Cenas em câmera lenta, câmera rápida, closes fechados, abertos, tremidos. Tudo no filme. O "clip" de "My desi girl" tem tantos cortes que você chega a ficar tonto, só de assistir. Mas depois que vê, não tira a música da cabeça. Mesmo não fazendo idéia do que é cantado.
Resumo: Dostana é um filme legal, com cenas legais e história legal. Não é extremamente bom, mas não é ruim. Os atores são muito bons e as músicas são loucamente dançantes. E principalmente, é Bollywood na veia!
Quem se interessar, procurem no Google/Orkut, pq aqui no Brasil tão cedo não chega. Abaixo está o clip de... MY DESI GIRL! Destaque para os cortes (óbvio!), o potente ventilador na cara da atriz toda vez que ela aparece e o ator quase não conseguindo abrir os olhos com o vendaval.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Marcus? Marcos? Márcio? Hércules?
O Marcos Serra Lima fez um comentário bem legal lá no Dois Cliques. Olhem lá. Ele leu o post aqui, comentou (muito legal, aliás) e especificou: eu sou o Marcus com "u", e ele com "o". Quando li esse comentário, caí na risada.
Quando era criança, sempre perguntava pra minha mãe o motivo do meu nome ser com U e não com O. Errou, quem pensou que eu me chamo Marcus Vinícius em homenagem à Vinícius de Moraes (que na verdade se chamava Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes). Meu nome é Marcus por acaso mesmo. Veja você, que lá em 1985 meu pai e minha mãe ainda não haviam escolhido meu nome. Mamãe queria "Jorge Fernando", e papai "Gelson Júnior". Já era né? Ainda bem que rolou esse embate. Foi então que lá pelo 8º mês de gravidez, papai assistia um jogo de futebol. Santos X Grêmio. Meu pai é Santista roxo, mas ficou impressionado com o gol que um jogador do Grêmio marcou contra o Santos. O nome dele? Marcus. Foi praticamente uma luz. Ele chegou na minha mãe e deu a sugestão. Ela gostou, mas quis dar o toque pessoal. Acrescentou o Vinícius. Fui então batizado.
O curioso é que sempre uso os dois nomes, mas de forma separada. Pra quem me conhece desde criança, na rua onde morava e 99,8% dos parentes, sou o Vinícius. Já para amigos de trabalho, da escola e da faculdade, sou o Marcus. Quem me liga em casa e procura pelo Marcus, às vezes recebe uma resposta negativa. Aqui sou o Vinícius. Mas se alguém de casa me chama de Vinícius na frente dos amigos, é praticamente corrigido: MAR-CUS.
Mas esse meu nome já me rendeu várias histórias. Quando trabalhava no Help Desk, tinha que atender como "Marcus, bom dia". Nem sempre o outro lado entendia. Já fui Marcos, Márcio, Marcelo, Caio, Carlos e até Hércules. Esse último me fez ter um ataque de risos em plena ligação.
Mas é isso. A descrição antiga do blog explicava a origem do meu nome: Referência à Marte, deus da Guerra. Só se for guerra de almofadas com minhas irmãs! Só se for...
Pra quem lê este blog, contem aê a origem do seu nome. Na faculdade a gente fez isso e rendeu várias histórias...
* Vou copiar a técnica do asterisco do Dois Cliques: Marcos (com O), gostei pra caramba do seu comentário. Que bom que você gostou do post.
* Paty Lissa e Lucila, obrigado pelos comentários. Olha só, compartilhamos de uma mesma causa: adimiramos o Dois Cliques... hehehe... A Lucila, inclusive, é companheira da "comunicação", pelo que pude ver, não é? Também se formou recentemente, mas em RP...
Quando era criança, sempre perguntava pra minha mãe o motivo do meu nome ser com U e não com O. Errou, quem pensou que eu me chamo Marcus Vinícius em homenagem à Vinícius de Moraes (que na verdade se chamava Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes). Meu nome é Marcus por acaso mesmo. Veja você, que lá em 1985 meu pai e minha mãe ainda não haviam escolhido meu nome. Mamãe queria "Jorge Fernando", e papai "Gelson Júnior". Já era né? Ainda bem que rolou esse embate. Foi então que lá pelo 8º mês de gravidez, papai assistia um jogo de futebol. Santos X Grêmio. Meu pai é Santista roxo, mas ficou impressionado com o gol que um jogador do Grêmio marcou contra o Santos. O nome dele? Marcus. Foi praticamente uma luz. Ele chegou na minha mãe e deu a sugestão. Ela gostou, mas quis dar o toque pessoal. Acrescentou o Vinícius. Fui então batizado.
O curioso é que sempre uso os dois nomes, mas de forma separada. Pra quem me conhece desde criança, na rua onde morava e 99,8% dos parentes, sou o Vinícius. Já para amigos de trabalho, da escola e da faculdade, sou o Marcus. Quem me liga em casa e procura pelo Marcus, às vezes recebe uma resposta negativa. Aqui sou o Vinícius. Mas se alguém de casa me chama de Vinícius na frente dos amigos, é praticamente corrigido: MAR-CUS.
Mas esse meu nome já me rendeu várias histórias. Quando trabalhava no Help Desk, tinha que atender como "Marcus, bom dia". Nem sempre o outro lado entendia. Já fui Marcos, Márcio, Marcelo, Caio, Carlos e até Hércules. Esse último me fez ter um ataque de risos em plena ligação.
Mas é isso. A descrição antiga do blog explicava a origem do meu nome: Referência à Marte, deus da Guerra. Só se for guerra de almofadas com minhas irmãs! Só se for...
Pra quem lê este blog, contem aê a origem do seu nome. Na faculdade a gente fez isso e rendeu várias histórias...
* Vou copiar a técnica do asterisco do Dois Cliques: Marcos (com O), gostei pra caramba do seu comentário. Que bom que você gostou do post.
* Paty Lissa e Lucila, obrigado pelos comentários. Olha só, compartilhamos de uma mesma causa: adimiramos o Dois Cliques... hehehe... A Lucila, inclusive, é companheira da "comunicação", pelo que pude ver, não é? Também se formou recentemente, mas em RP...
sábado, 10 de janeiro de 2009
A dois cliques de tudo!
Fotógrafo de celebridades. Foi isso o que me chamou a atenção no blog Dois Cliques. Lá, em meados de março, fazia pesquisas primárias na internet sobre o tema do meu TCC, os Paparazzi. Olha daqui, olha dali, e de repente caí nesse blog, dentro do EGO. Comecei a ler e vi que o autor, Marcos Serra Lima, faz um trabalho fantástico. E o melhor, ele dialoga muito com seus leitores. Isso dá a ele um ar de humano, de vivo. Tipo daqueles caras que se você encontrar na rua, consegue ter uma conversa normal, sobre o tempo, trânsito, essas coisas. Anotei, falei com os outros integrantes do grupo e ele entrou como possível fonte. E a cada reunião era isso. "Ah, tem o Serra Lima, do Rio, do EGO". No Google encontrei a página pessoal dele e lá tinha o telefone de contato. Pronto, melhor que isso, impossível. O máximo que poderia acontecer seria ele falar "não". Mas não foi isso. o Rafa ligou da primeira vez, em meados de setembro, e ele já topou. Poucos dias antes de ir pro Rio gravar as entrevistas liguei pra ele de novo: "Claro, gravo sim, numa boa". Ao contrário de outros fotógrafos, ele não fez doce não. Topou, assim, na lata, sem achar que éramos espiões internacionais. E lá fomos nós pro Rio.
No blog dele é difícil encontrar fotos dele, então fiquei na dúvida se saberia identificá-lo quando o visse. Memorizei a única foto que há em seu site, e vamos lá. Dentro da redação da Globo.com, logo me deparei com o cara. Juro que se fosse na rua passaria reto. Sei lá, ele tava diferente. Pois bem, entrevistamos a simpática e doce Cláudia Croitor e lá fomos falar com o Marcos. "Posso por o Dois Cliques de fundo? Não né, se não vai ficar puro jabazão!", disse ele. "Claro, coloque sim. Afinal, foi através dele que cheguei até aqui... hehe", respondi. A entrevista? Muito boa. Se não me engano durou 15 minutos, em um documentário que durou 20. Cortar o material foi difícil. Muito.
Desde então sempre acompanhei o Dois Cliques. Ás vezes comento, ás vezes só leio mesmo. Me identifico bastante com a forma com que ele escreve. Os textos parecem conversas de rua, na fila do McDonalds, no ponto de ônibus. A cada post você descobre um pouco mais sobre o fotógrafo, a fotografia e sobre um tema específico que ele aborda. Tem dias que dou muita risada com uma situação engraçada por qual ele passa. N'outro, fico triste. O texto dele me atrai por mostrar muitas vezes o que eu sinto. As inseguranças da profissão, indignações com causas comuns, alegrias com coisas simples. O post que ele fez sobre o dia do fotógrafo, com a foto ao final com seu pai e ele quando criança é demais!
O Marcos é formado em jornalismo. Eu também. Na Puc. Eu também. Só que ele é na do Rio, e eu na daqui de Campinas. Ás vezes me pergunto se conseguirei sucesso nesta profissão que escolhi. Será? Uma coisa é certa: se conseguir ter a inteligência e simplicidade do Marcos e fazer esse blog ser tão divertido quanto o Dois Cliques, já estou feliz. Acabei de mandar um e-mail pra ele elogiando o blog. De novo, pois já fiz isso umas duas vezes, acho.
A propósito, NÃO, não quero seguir na área do fotojornalismo. Na faculdade fiquei com média 7,5 nessa matéria. Não tenho um olhar tão aguçado e crítico. Já a Andressa, minha amiga-irmã, deu um show. O 10 dela facilmente viraria um 1000. Pena que ela gosta mais de assessoria.
No blog dele é difícil encontrar fotos dele, então fiquei na dúvida se saberia identificá-lo quando o visse. Memorizei a única foto que há em seu site, e vamos lá. Dentro da redação da Globo.com, logo me deparei com o cara. Juro que se fosse na rua passaria reto. Sei lá, ele tava diferente. Pois bem, entrevistamos a simpática e doce Cláudia Croitor e lá fomos falar com o Marcos. "Posso por o Dois Cliques de fundo? Não né, se não vai ficar puro jabazão!", disse ele. "Claro, coloque sim. Afinal, foi através dele que cheguei até aqui... hehe", respondi. A entrevista? Muito boa. Se não me engano durou 15 minutos, em um documentário que durou 20. Cortar o material foi difícil. Muito.
Desde então sempre acompanhei o Dois Cliques. Ás vezes comento, ás vezes só leio mesmo. Me identifico bastante com a forma com que ele escreve. Os textos parecem conversas de rua, na fila do McDonalds, no ponto de ônibus. A cada post você descobre um pouco mais sobre o fotógrafo, a fotografia e sobre um tema específico que ele aborda. Tem dias que dou muita risada com uma situação engraçada por qual ele passa. N'outro, fico triste. O texto dele me atrai por mostrar muitas vezes o que eu sinto. As inseguranças da profissão, indignações com causas comuns, alegrias com coisas simples. O post que ele fez sobre o dia do fotógrafo, com a foto ao final com seu pai e ele quando criança é demais!
O Marcos é formado em jornalismo. Eu também. Na Puc. Eu também. Só que ele é na do Rio, e eu na daqui de Campinas. Ás vezes me pergunto se conseguirei sucesso nesta profissão que escolhi. Será? Uma coisa é certa: se conseguir ter a inteligência e simplicidade do Marcos e fazer esse blog ser tão divertido quanto o Dois Cliques, já estou feliz. Acabei de mandar um e-mail pra ele elogiando o blog. De novo, pois já fiz isso umas duas vezes, acho.
A propósito, NÃO, não quero seguir na área do fotojornalismo. Na faculdade fiquei com média 7,5 nessa matéria. Não tenho um olhar tão aguçado e crítico. Já a Andressa, minha amiga-irmã, deu um show. O 10 dela facilmente viraria um 1000. Pena que ela gosta mais de assessoria.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
A graja dos bichos!
O que define um livro como bom? Ou melhor, quem define um livro como bom? O próprio leitor? Se for o caso, defino aqui: O livro “A revolução dos bichos”, de George Orwell como bom. Aliás, muito bom.
Quando estava no ensino médio, recebi a recomendação de um professor de história para que lesse esse livro. Há algumas semanas, passeando por uma livraria, me deparei com ele, e resolvi comprá-lo.
O autor, George Orwell, é caracterizado por criticar regimes políticos em seus livros. Em “A revolução dos bichos” não é diferente. Neste caso, a crítica é contra o comunismo. Porém, usando de uma linguagem muito simples, e com personagens um tanto quanto engraçados, ele desenvolve uma trama bastante interessante.
A história se ambienta em uma pequena cidade rural no interior da Inglaterra. Cansados da exploração e da cobrança excessiva feita por seus donos, os animais da “Granja Solar” se revoltam, expulsam os humanos e instituem um regime igualitário e aparentemente honesto entre todos eles. O lugar passa a se chamar “Granja dos Bichos”, e fica sob a liderança dos porcos. São instituídos mandamentos definindo que “todos os animais são iguais”. O trabalho é dividido de acordo com a capacidade de cada um, e a fazenda começa a prosperar, mesmo sem a presença dos humanos. Aliás, os humanos e seus hábitos são duramente criticados, e proibidos de imitação.
Porém com o tempo, as coisas começam a mudar. Os porcos, cientes de sua grande inteligência e influência sobre os outros animais, começam aos poucos mudar o sentido das regras, para favorecimento próprio. Quem desconfia é convencido por algum deles que havia pensado errado. As tentativas dos humanos em retornar à fazenda, os contra-ataques dos animais e as brigas internas (entre os porcos) fomentam mais essa influência, que aos poucos começam a utilizar a força, com a ajuda dos cães, para instaurar suas decisões.
Percebe-se que a igualdade dos bichos então dá espaço para um certo tipo de ditadura sanguinária, onde aquele que se pronuncia contra é executado na frente dos demais. Os atos que antes foram condenados por todos, agora passam a se tornar comum entre os porcos, como morar na casa dos humanos, vestir suas roupas e até caminhas sobre duas patas. O medo é instaurado na granja, porém sempre com o clima de parceria e camaradagem. Os animais, o tempo todo, são induzidos a acreditar que os atos dos porcos são em benefício de todos. Inclusive o fato deles (os porcos) receberem mais alimentos que os demais animais, que são castigados pela fome e pelas estações do ano.
Em uma crítica muito clara, Orwell define cada animal como uma classe da sociedade. Os porcos são os políticos que aproveitam da inocência e até ignorância da população para instaurar idéias que beneficiam a si próprios, não permitindo sequer a liberdade de expressão. O cavalo representa a força bruta, o proletariado, que só sabe trabalhar, e não fazer mais nada. O burro, que no livro é retratado como um animal inteligente, não participa das discussões, preferindo ficar calado diante da ignorância dos demais. Os outros animais que são citados representam a parcela da população totalmente alienada à política, que só faz aceitar ordens e nada mais.
Os humanos, por sua vez, são retratados de forma muito vaga, e só ganham destaque próximo ao final do livro. E o diálogo entre os “duas pernas” e os “quatro patas”, conforme são citados no livro, é feito de forma natural, como se um animal tranquilamente conversasse com um humano.
No posfácio do livro, Orwell conta que teve a idéia de escrever esse livro após ver, em uma caminhada que realizava, um menino chicoteando um cavalo cansado. Cada vez que o cavalo diminuía o ritmo, levava uma chicotada. Ele pensou então que se aquele animal resolvesse se voltar contra o menino, facilmente venceria.
A forma em que o autor cria os diálogos no livro, e como retrata com riqueza a situação que se encontram os animais deixa o texto mais interessante, e curioso de se ler. A cada final de um capítulo, surge a vontade de saber o que acontecerá logo em seguida.
Porém em um determinado momento, a contagem do tempo fica mais acelerada, e o texto mais generalizado. É como se o autor tivesse cansado de escrevê-lo, e tivesse adiantado a história para logo chegar ao final. O destino de alguns personagens que até então eram importantes na trama é retratado de forma muito vaga, e em alguns casos, sequer são citadas. Os atos absurdos dos porcos não são mais questionados pelos outros animais, coisa que acontecera em todo o livro, e sequer uma justificativa é dada para isso.
Mas o final do livro é o grande trunfo da história inteira. Principalmente o último parágrafo. Ali é possível reconhecer sintetizada, toda a crítica que o autor quis fazer durante todo o livro. Não era exatamente o que eu esperava, mas fecha com dignidade o conto de Orwell.
Sobre o comunismo, lembro-me somente alguns detalhes que estudei nos tempos da escola. Após ler esse livro, ficou inevitável a comparação com o atual regime político brasileiro. Em escala extremamente menor, pode-se dizer que quem está no poder hoje, chegou lá prometendo igualdade entre todos, mas depois que conseguiu, mudou o discurso. Fico então no aguardo de um novo livro que conte a saga da “Granja dos bichos” em terras brasileiras.
Quando estava no ensino médio, recebi a recomendação de um professor de história para que lesse esse livro. Há algumas semanas, passeando por uma livraria, me deparei com ele, e resolvi comprá-lo.
O autor, George Orwell, é caracterizado por criticar regimes políticos em seus livros. Em “A revolução dos bichos” não é diferente. Neste caso, a crítica é contra o comunismo. Porém, usando de uma linguagem muito simples, e com personagens um tanto quanto engraçados, ele desenvolve uma trama bastante interessante.
A história se ambienta em uma pequena cidade rural no interior da Inglaterra. Cansados da exploração e da cobrança excessiva feita por seus donos, os animais da “Granja Solar” se revoltam, expulsam os humanos e instituem um regime igualitário e aparentemente honesto entre todos eles. O lugar passa a se chamar “Granja dos Bichos”, e fica sob a liderança dos porcos. São instituídos mandamentos definindo que “todos os animais são iguais”. O trabalho é dividido de acordo com a capacidade de cada um, e a fazenda começa a prosperar, mesmo sem a presença dos humanos. Aliás, os humanos e seus hábitos são duramente criticados, e proibidos de imitação.
Porém com o tempo, as coisas começam a mudar. Os porcos, cientes de sua grande inteligência e influência sobre os outros animais, começam aos poucos mudar o sentido das regras, para favorecimento próprio. Quem desconfia é convencido por algum deles que havia pensado errado. As tentativas dos humanos em retornar à fazenda, os contra-ataques dos animais e as brigas internas (entre os porcos) fomentam mais essa influência, que aos poucos começam a utilizar a força, com a ajuda dos cães, para instaurar suas decisões.
Percebe-se que a igualdade dos bichos então dá espaço para um certo tipo de ditadura sanguinária, onde aquele que se pronuncia contra é executado na frente dos demais. Os atos que antes foram condenados por todos, agora passam a se tornar comum entre os porcos, como morar na casa dos humanos, vestir suas roupas e até caminhas sobre duas patas. O medo é instaurado na granja, porém sempre com o clima de parceria e camaradagem. Os animais, o tempo todo, são induzidos a acreditar que os atos dos porcos são em benefício de todos. Inclusive o fato deles (os porcos) receberem mais alimentos que os demais animais, que são castigados pela fome e pelas estações do ano.
Em uma crítica muito clara, Orwell define cada animal como uma classe da sociedade. Os porcos são os políticos que aproveitam da inocência e até ignorância da população para instaurar idéias que beneficiam a si próprios, não permitindo sequer a liberdade de expressão. O cavalo representa a força bruta, o proletariado, que só sabe trabalhar, e não fazer mais nada. O burro, que no livro é retratado como um animal inteligente, não participa das discussões, preferindo ficar calado diante da ignorância dos demais. Os outros animais que são citados representam a parcela da população totalmente alienada à política, que só faz aceitar ordens e nada mais.
Os humanos, por sua vez, são retratados de forma muito vaga, e só ganham destaque próximo ao final do livro. E o diálogo entre os “duas pernas” e os “quatro patas”, conforme são citados no livro, é feito de forma natural, como se um animal tranquilamente conversasse com um humano.
No posfácio do livro, Orwell conta que teve a idéia de escrever esse livro após ver, em uma caminhada que realizava, um menino chicoteando um cavalo cansado. Cada vez que o cavalo diminuía o ritmo, levava uma chicotada. Ele pensou então que se aquele animal resolvesse se voltar contra o menino, facilmente venceria.
A forma em que o autor cria os diálogos no livro, e como retrata com riqueza a situação que se encontram os animais deixa o texto mais interessante, e curioso de se ler. A cada final de um capítulo, surge a vontade de saber o que acontecerá logo em seguida.
Porém em um determinado momento, a contagem do tempo fica mais acelerada, e o texto mais generalizado. É como se o autor tivesse cansado de escrevê-lo, e tivesse adiantado a história para logo chegar ao final. O destino de alguns personagens que até então eram importantes na trama é retratado de forma muito vaga, e em alguns casos, sequer são citadas. Os atos absurdos dos porcos não são mais questionados pelos outros animais, coisa que acontecera em todo o livro, e sequer uma justificativa é dada para isso.
Mas o final do livro é o grande trunfo da história inteira. Principalmente o último parágrafo. Ali é possível reconhecer sintetizada, toda a crítica que o autor quis fazer durante todo o livro. Não era exatamente o que eu esperava, mas fecha com dignidade o conto de Orwell.
Sobre o comunismo, lembro-me somente alguns detalhes que estudei nos tempos da escola. Após ler esse livro, ficou inevitável a comparação com o atual regime político brasileiro. Em escala extremamente menor, pode-se dizer que quem está no poder hoje, chegou lá prometendo igualdade entre todos, mas depois que conseguiu, mudou o discurso. Fico então no aguardo de um novo livro que conte a saga da “Granja dos bichos” em terras brasileiras.
A melhor caçada!
"A caçada". Taí um filme que eu indico para todos assistirem. Principalmente para quem se formou, estuda ou pretende estudar jornalismo. É um prato cheio, a essência da profissão. Esqueçam apresentadores de telejornais, repórteres de celebridades ou coisa parecida. A realidade da profissão, que deve instigar todos aqueles que nela atuam ou pretendem atuar está sintetizada neste filme. O que me fez querer assistí-lo: A frase na capa do DVD: "Como eles encontraram um criminoso de guerra que nem a CIA conseguiu encontrar?".
Bom, vamos ao que interessa. "A caçada" conta a história de três jornalistas: Simon Hunt (Richard Gere), Duck (Terrence Howard) e Benjamin Strauss (Jesse Eisenberg). O primeiro, um ótimo correspondente de guerra e juntamente com seu fiel companheiro (Duck) faz as melhores coberturas em cenários caóticos no mundo todo. Porém um dia, diretamente da Bósnia, Simon tem um surto em rede nacional, ao vivo, e joga tudo pro alto. Como consequência, é demitido, e passa a vagar pelo mundo tentando vender alguma matéria para alguma rede de televisão.
Anos depois eles se reencontram, novamente na Bósnia. Duck agora é diretor dos cinegrafistas da rede de TV onde trabalha, e leva "a tiracolo" o foquinha Benjamin. Simon conversa com Duck e o convence a fazer a melhor matéria de todos os tempos: ir atrás de um criminoso de guerra, escondido nas montanhas dos Balcãs. Benjamin ouve tudo, e praticamente implora pra ir junto.
Antes, deixe-me ambientá-lo: A Bósnia fazia parte da antiga Iugoslávia, que era uma nação formada por outras "pequenas nações". Com a crise do comunismo, em 1991, as regiões da Eslovênia e da Croácia declararam independência e fizeram eleições presidenciais. Em 18 de setembro, seguindo o exemplo desses países, a Macedônia também declarou sua independência. Quase um mês depois, em 15 de outubro, a Bósnia-Herzegovina fez o mesmo. Em todos eles houveram conflitos, pois a Iugoslávia se recusava a reconhecer a autonomia dessas regiões. No caso da Bósnia, o governo foi concedido a um governante muçulmano, mas aproximadamente 33% da população do país era cristã-ortodoxa. A ONU (Organização das Nações Unidas) tentou intervir, mas de nada adiantou. Daí para uma crise entre a população e o governo foi um passo só, e o governo da Iugoslávia, liderado por Slobodan Milozevic, aproveitou pra fazer as "limpezas étnicas" que lhe bem entendia. O conflito só teve fim em 1995, quando a maior potência mundial, os Estados Unidos, interveio exigindo que Milosevic parasse. Foi o maior conflito étnico-religioso que ocorreu na região - foram mais de 250 mil mortos.
Voltando ao filme, a proposta de Simon era então ir atrás de um dos criminosos escondido em uma pequena cidade próxima a Sarajevo, a capital. A intenção é fazer uma entrevista com o "Raposa". Em um carro "emprestado pelo vizinho", um violão nas mãos e vontade nas cabeças, os três embarcam pela destruída Bósnia. Logo as dificuldades começam a aparecer. Onde o bandido está escondido, ele é praticamente venerado pela população local. Quem tenta se aproximar dele é visto com desconfiança por todos. Isso é percebido pelo garçom que atende os jornalistas na beira da estrada. "O Raposa está em todo lugar. Vocês não devem se aproximar dele", diz o cara, com afeição bem amarrada. Constantemente confundidos com agentes da CIA, eles começam a enfrentar verdadeiras dificuldades. A começar pelo agente da ONU, Boris, que mesmo com as credencias de jornalistas nas mãos, afirma que eles são da CIA. A polícia local pouco ajuda, e principalmente, pouco se preocupa com esses criminosos. A partir daí eles correm sérios perigos. Ao invés de caçarem o Raposa, eles passam a ser caçados por ele e por outros criminosos escondidos ali também. Não demora muito para que uma arma seja apontada para a cabeça de cada um. Mas a essência do filme está justamente aí: eles não desistem. Tá certo que há um segundo motivo pra isso, mas se visto pela ótica de Benjamin, o foquinha sem nenhuma razão pra estar ali, a profissão de jornalista é bem fundamentada. É ele que não deixa a peteca cair no momento em que eles estão com uma importante informante.
Enfim, quando encontram o Raposa, a situação é extremamente diferente. Não vou contar pra não estragar a surpresa, mas confesso que nesse momento do filme, é praticamente impossível não prender a respiração. O nervosismo dos personagens toma conta de quem assiste o filme.
O final dele no entanto foge um pouco das "regras jornalísticas". Confesso que se fosse eu na situação, não pensaria em fazer diferente, mas estaria praticamente rasgando o diploma que acabei de receber.
Fica a dica então para quem gosta de filmes neste estilo. A propósito, a história do filme é real, mas ao invés de 3 eram 5 jornalistas procurando o "carniceiro de Belgrado", ou Radovan Karadzic, um notório criminoso e sujeito diretamente responsável pelo assassinato e tortura de milhares de muçulmanos na região. O resultado foi publicado no artigo "Como passei minhas férias de verão" da revista Esquire (leia). O mais curioso do filme é a primeira cena, uma frase dizendo "Apenas as partes mais ridículas dessa história são verdadeiras". Tem como não querer ver depois disso? Abaixo segue o trailler.
Bom, vamos ao que interessa. "A caçada" conta a história de três jornalistas: Simon Hunt (Richard Gere), Duck (Terrence Howard) e Benjamin Strauss (Jesse Eisenberg). O primeiro, um ótimo correspondente de guerra e juntamente com seu fiel companheiro (Duck) faz as melhores coberturas em cenários caóticos no mundo todo. Porém um dia, diretamente da Bósnia, Simon tem um surto em rede nacional, ao vivo, e joga tudo pro alto. Como consequência, é demitido, e passa a vagar pelo mundo tentando vender alguma matéria para alguma rede de televisão.
Anos depois eles se reencontram, novamente na Bósnia. Duck agora é diretor dos cinegrafistas da rede de TV onde trabalha, e leva "a tiracolo" o foquinha Benjamin. Simon conversa com Duck e o convence a fazer a melhor matéria de todos os tempos: ir atrás de um criminoso de guerra, escondido nas montanhas dos Balcãs. Benjamin ouve tudo, e praticamente implora pra ir junto.
Antes, deixe-me ambientá-lo: A Bósnia fazia parte da antiga Iugoslávia, que era uma nação formada por outras "pequenas nações". Com a crise do comunismo, em 1991, as regiões da Eslovênia e da Croácia declararam independência e fizeram eleições presidenciais. Em 18 de setembro, seguindo o exemplo desses países, a Macedônia também declarou sua independência. Quase um mês depois, em 15 de outubro, a Bósnia-Herzegovina fez o mesmo. Em todos eles houveram conflitos, pois a Iugoslávia se recusava a reconhecer a autonomia dessas regiões. No caso da Bósnia, o governo foi concedido a um governante muçulmano, mas aproximadamente 33% da população do país era cristã-ortodoxa. A ONU (Organização das Nações Unidas) tentou intervir, mas de nada adiantou. Daí para uma crise entre a população e o governo foi um passo só, e o governo da Iugoslávia, liderado por Slobodan Milozevic, aproveitou pra fazer as "limpezas étnicas" que lhe bem entendia. O conflito só teve fim em 1995, quando a maior potência mundial, os Estados Unidos, interveio exigindo que Milosevic parasse. Foi o maior conflito étnico-religioso que ocorreu na região - foram mais de 250 mil mortos.
Voltando ao filme, a proposta de Simon era então ir atrás de um dos criminosos escondido em uma pequena cidade próxima a Sarajevo, a capital. A intenção é fazer uma entrevista com o "Raposa". Em um carro "emprestado pelo vizinho", um violão nas mãos e vontade nas cabeças, os três embarcam pela destruída Bósnia. Logo as dificuldades começam a aparecer. Onde o bandido está escondido, ele é praticamente venerado pela população local. Quem tenta se aproximar dele é visto com desconfiança por todos. Isso é percebido pelo garçom que atende os jornalistas na beira da estrada. "O Raposa está em todo lugar. Vocês não devem se aproximar dele", diz o cara, com afeição bem amarrada. Constantemente confundidos com agentes da CIA, eles começam a enfrentar verdadeiras dificuldades. A começar pelo agente da ONU, Boris, que mesmo com as credencias de jornalistas nas mãos, afirma que eles são da CIA. A polícia local pouco ajuda, e principalmente, pouco se preocupa com esses criminosos. A partir daí eles correm sérios perigos. Ao invés de caçarem o Raposa, eles passam a ser caçados por ele e por outros criminosos escondidos ali também. Não demora muito para que uma arma seja apontada para a cabeça de cada um. Mas a essência do filme está justamente aí: eles não desistem. Tá certo que há um segundo motivo pra isso, mas se visto pela ótica de Benjamin, o foquinha sem nenhuma razão pra estar ali, a profissão de jornalista é bem fundamentada. É ele que não deixa a peteca cair no momento em que eles estão com uma importante informante.
Enfim, quando encontram o Raposa, a situação é extremamente diferente. Não vou contar pra não estragar a surpresa, mas confesso que nesse momento do filme, é praticamente impossível não prender a respiração. O nervosismo dos personagens toma conta de quem assiste o filme.
O final dele no entanto foge um pouco das "regras jornalísticas". Confesso que se fosse eu na situação, não pensaria em fazer diferente, mas estaria praticamente rasgando o diploma que acabei de receber.
Fica a dica então para quem gosta de filmes neste estilo. A propósito, a história do filme é real, mas ao invés de 3 eram 5 jornalistas procurando o "carniceiro de Belgrado", ou Radovan Karadzic, um notório criminoso e sujeito diretamente responsável pelo assassinato e tortura de milhares de muçulmanos na região. O resultado foi publicado no artigo "Como passei minhas férias de verão" da revista Esquire (leia). O mais curioso do filme é a primeira cena, uma frase dizendo "Apenas as partes mais ridículas dessa história são verdadeiras". Tem como não querer ver depois disso? Abaixo segue o trailler.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Para um amigo...
Texto para um amigo:
“Ela é só uma garota...
É só uma garota. Não o denso lago de mistérios gozosos onde você mergulhou e ainda não submergiu. Nem o sustentáculo de todos os ossos de seu corpo, tampouco o mármore onde está gravada a suprema razão de sua existência. É só uma garota.
E quer mesmo saber? É uma garota como todos as outras garotas.
Essa que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ela e você nem ligou. A mendiga, a dentista, a freira, a taxista. Ela estava ali o tempo todo. E ela não estava. Ela é só uma delas. Várias. Uma legião. E ninguém.
É só uma garota. E não a sua vida. E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ela não é o destino. É uma garota. Existem muitos destinos.
Ela é só uma garota que mal sabe escolher um filme pra assistir. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo. Ela é só uma garota perdida como muitas outras garotas que você encontrou. E perdeu.
Ele é só uma garota. E você já esqueceu outras garotas antes.”
É só uma garota. Não o denso lago de mistérios gozosos onde você mergulhou e ainda não submergiu. Nem o sustentáculo de todos os ossos de seu corpo, tampouco o mármore onde está gravada a suprema razão de sua existência. É só uma garota.
E quer mesmo saber? É uma garota como todos as outras garotas.
Essa que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ela e você nem ligou. A mendiga, a dentista, a freira, a taxista. Ela estava ali o tempo todo. E ela não estava. Ela é só uma delas. Várias. Uma legião. E ninguém.
É só uma garota. E não a sua vida. E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ela não é o destino. É uma garota. Existem muitos destinos.
Ela é só uma garota que mal sabe escolher um filme pra assistir. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo. Ela é só uma garota perdida como muitas outras garotas que você encontrou. E perdeu.
Ele é só uma garota. E você já esqueceu outras garotas antes.”
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
São Paulo cega...
Na semana passada assisti "Ensaio sobre a Cegueira", filme dirigido por Fernando Meirelles. Tem como resumir o filme em uma única palavra? MAGNÍFICO!
Eu gosto do Fernando pelo fato dele fugir do convencional. Ao invés de ir para uma locação clichê e fazer aquela história bobinha, ele optou por São Paulo. Isso mesmo, a megalópole nem um pouco bonita. Foi até Higienópolis e ambientou algumas cenas lá. Depois foi até a Marginal Pinheiros e gravou mais. Pronto, o filme estava basicamente feito. Algumas locações no Uruguai e já tinha um material rico em mãos. Mas vamos ao filme então.
A começar que nenhum personagem do filme tem nome. A protagonista Julianne Moore é simplesmente a "esposa do médico". Mark Ruffalo é o médico. Alice Braga é a prostituta de óculos escuros e Gael Garcia Bernal é o canastrão. Pronto, o elenco principal já está definido. Meirelles poderia ter optado por um elenco mais "famoso", mas não, fugiu do óbvio. E com sucesso!
A história é basicamente a seguinte: um surto de cegueira toma conta da cidade (também se nome citado). Na definição do próprio "paciente zero", é como se todas as luzes estivessem acesas ao mesmo tempo. Todos que são "contaminados" são encaminhados para um hospital de quarentena, até descobrirem o que está ocorrendo. A mulher do médico porém é a única imune. Ela não fica contaminada, porém guarda o segredo com o marido, com medo de ser pega para "cobaia". Dentro do hospital a história se desenvolve. Aí é que a frase "quando o ser humano está em situações extremas, seu pior inimigo é ele próprio" faz sentido.
As rixas aos poucos começam a aparecer e o senso de justiça a sumir. Rivalidades, brigas, situações extremamente constrangedoras e até assassinatos marcam o local. Mais uma vez Meirelles inova ao não filmar por ângulos óbvios. Ora você vê as mãos dos personagens, ora simplesmente a sombra. Mas eles então saem do hospital e ficam vagando pela cidade. Aí é possível detectar São Paulo em peso. Ruas, encruzilhadas e até a nova ponte estão presentes. Não sei porquê, mas fico feliz quando identifico ambientes familiares em produções grandes.
Acho que a grande lição que o filme pode trazer é justamente a de que não existe pessoas boazinhas. A própria protagonista tem seus momentos egocêntricos e grotescos, mesmo ajudando secretamente outras pessoas.
Eu gosto do Fernando pelo fato dele fugir do convencional. Ao invés de ir para uma locação clichê e fazer aquela história bobinha, ele optou por São Paulo. Isso mesmo, a megalópole nem um pouco bonita. Foi até Higienópolis e ambientou algumas cenas lá. Depois foi até a Marginal Pinheiros e gravou mais. Pronto, o filme estava basicamente feito. Algumas locações no Uruguai e já tinha um material rico em mãos. Mas vamos ao filme então.
A começar que nenhum personagem do filme tem nome. A protagonista Julianne Moore é simplesmente a "esposa do médico". Mark Ruffalo é o médico. Alice Braga é a prostituta de óculos escuros e Gael Garcia Bernal é o canastrão. Pronto, o elenco principal já está definido. Meirelles poderia ter optado por um elenco mais "famoso", mas não, fugiu do óbvio. E com sucesso!
A história é basicamente a seguinte: um surto de cegueira toma conta da cidade (também se nome citado). Na definição do próprio "paciente zero", é como se todas as luzes estivessem acesas ao mesmo tempo. Todos que são "contaminados" são encaminhados para um hospital de quarentena, até descobrirem o que está ocorrendo. A mulher do médico porém é a única imune. Ela não fica contaminada, porém guarda o segredo com o marido, com medo de ser pega para "cobaia". Dentro do hospital a história se desenvolve. Aí é que a frase "quando o ser humano está em situações extremas, seu pior inimigo é ele próprio" faz sentido.
As rixas aos poucos começam a aparecer e o senso de justiça a sumir. Rivalidades, brigas, situações extremamente constrangedoras e até assassinatos marcam o local. Mais uma vez Meirelles inova ao não filmar por ângulos óbvios. Ora você vê as mãos dos personagens, ora simplesmente a sombra. Mas eles então saem do hospital e ficam vagando pela cidade. Aí é possível detectar São Paulo em peso. Ruas, encruzilhadas e até a nova ponte estão presentes. Não sei porquê, mas fico feliz quando identifico ambientes familiares em produções grandes.
Acho que a grande lição que o filme pode trazer é justamente a de que não existe pessoas boazinhas. A própria protagonista tem seus momentos egocêntricos e grotescos, mesmo ajudando secretamente outras pessoas.
sábado, 20 de setembro de 2008
Um certo Bruno
Na semana passada fui assistir no Teatro Tim a peça do ator Bruno Gagliasso, chamada "Um certo Van Gogh". A peça não só conta a história do pintor holandês Van Gogh, mas faz um paralelo com um personagem na realidade, o Timóteo. Entre "flashbacks" do Van Gogh no passado e situações no presente, a peça simplesmente prende a atenção do público. Conforme o tempo vai passando, você fica triste de saber que pode acabar a qualquer momento. Todo o elendo é muito bom e algumas situações são extremamente cômicas (embora tenha descoberto que não deveria haver nenhum momento cômico na peça!).
Um destaque para a atriz Larissa Bracher, que interpreta 3 personagens na peça. É inevitável a comparação da moça do museu com a guia do Museu da Língua Portuguesa!
Mas o mais legal da peça mesmo é todo o elenco. Quando fui assistí-la, fui na verdade com um intuito acadêmico: conseguir agendar uma entrevista com o Bruno Gagliasso, para o documentário do TCC. Uma semana depois, estava eu lá, no teatro, junto com todo o elenco. Mas sem o Bruno. Claro que não posso deixar de citar todo o esforço único e exclusivo do Vitor que, por intermédio da produtora da peça, conseguiu a entrevista. Então coube a ele entrevistar o elenco, que é show de bola, para produzir uma matéria para o Espelho Urbano. Dentre piadas, citações curiosas e respostas sérias, Pedro Garcia Netto, Marcelo Valle e a própria Larissa demonstraram extrema paixão no que fazem. Acho que isso justifica o sucesso da peça. Mas como somos brasileiros e não desistimos nunca, ficamos esperando pelo Bruno. Faltando 10 minutos pra começar a peça, o encontramos atrás do palco, já com o figurino. Como precisávamos ser rápidos, assumi a responsabilidade de entrevistá-lo, a pedido do Vitão.
Claro que estar diante de um ator tão famoso quanto ele me deixou um tanto nervoso, mas como não tinha tempo para isso, pensei nele como um entrevistado qualquer. E deu certo! O Bruno se mostrou um cara totalmente simpático, educado e disposto a responder todas as perguntas. Foram somente 3, mas com um rico conteúdo. Saímos do teatro com a sensação de dever cumprido. Agora é partir para as outras estrelas, e fazer dar certo.
Abaixo segue uma foto da peça, tirada pelo Vitor, que eu peguei do fotolog dele (que eu nem sabia que existia!). Aliás, o mesmo Vitor que ultimamente tem andado muito, mas muito estranho com os colegas... o que se sucede hein Vitão?
Um destaque para a atriz Larissa Bracher, que interpreta 3 personagens na peça. É inevitável a comparação da moça do museu com a guia do Museu da Língua Portuguesa!
Mas o mais legal da peça mesmo é todo o elenco. Quando fui assistí-la, fui na verdade com um intuito acadêmico: conseguir agendar uma entrevista com o Bruno Gagliasso, para o documentário do TCC. Uma semana depois, estava eu lá, no teatro, junto com todo o elenco. Mas sem o Bruno. Claro que não posso deixar de citar todo o esforço único e exclusivo do Vitor que, por intermédio da produtora da peça, conseguiu a entrevista. Então coube a ele entrevistar o elenco, que é show de bola, para produzir uma matéria para o Espelho Urbano. Dentre piadas, citações curiosas e respostas sérias, Pedro Garcia Netto, Marcelo Valle e a própria Larissa demonstraram extrema paixão no que fazem. Acho que isso justifica o sucesso da peça. Mas como somos brasileiros e não desistimos nunca, ficamos esperando pelo Bruno. Faltando 10 minutos pra começar a peça, o encontramos atrás do palco, já com o figurino. Como precisávamos ser rápidos, assumi a responsabilidade de entrevistá-lo, a pedido do Vitão.
Claro que estar diante de um ator tão famoso quanto ele me deixou um tanto nervoso, mas como não tinha tempo para isso, pensei nele como um entrevistado qualquer. E deu certo! O Bruno se mostrou um cara totalmente simpático, educado e disposto a responder todas as perguntas. Foram somente 3, mas com um rico conteúdo. Saímos do teatro com a sensação de dever cumprido. Agora é partir para as outras estrelas, e fazer dar certo.
Abaixo segue uma foto da peça, tirada pelo Vitor, que eu peguei do fotolog dele (que eu nem sabia que existia!). Aliás, o mesmo Vitor que ultimamente tem andado muito, mas muito estranho com os colegas... o que se sucede hein Vitão?
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